quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

“Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos? Por que Jesus respondeu a essa pobre mulher de uma forma tão rude e depreciativa?

Com relação a pergunta de Mateus 15:26 e Marcos 7:25-29, sobre a mulher Cananéia, queremos dizer o seguinte: Jesus aproveitava toda ocasião propícia para ensinar profundas lições. Seus ensinos, em forma de parábolas, estavam baseados em temas e experiências muito conhecidas por Seus ouvintes.
Os judeus se consideravam superiores a todos os demais povos; criam que eram os favoritos de Deus, e que os demais eram muito inferiores e indignos da graça divina: os estrangeiros eram considerados como cães. No átrio do templo colocaram avisos em diferentes idiomas, nos quais se proibia a entrada a todos os estrangeiros. Por essa razão foi que uns gregos que haviam ido a Jerusalém adorar rogaram a Filipe que lhes apresentasse Jesus, que Se achava dentro do templo naquele momento (João 12:20-22).
Essa conduta equivocada contradizia o plano que Deus havia recomendado a Seu povo, os hebreus. Quando Salomão elevou uma prece na dedicação do templo, várias vezes destacou: “Quanto o Teu povo Israel … se converter a Ti, e confessar o Teu nome, e orar e suplicar a Ti nesta casa, ouve Tu nos céus e perdoa o pecado do Teu povo Israel. … Toda oração e súplica que qualquer homem fizer ouve Tu dos Céus. … Também ao estrangeiro, que não for do Teu povo Israel, porém vier de terras remotas, por amor do Teu nome… e orar, voltado para estas casa … faze tudo o que o estrangeiro Te pedir, a fim de que todos os povos da Terra conheçam o Teu nome, para Te temerem” ( I Reis 8:33-43)
Todos os estrangeiros que aceitaram a Deus deviam ser incorporados totalmente ao povo de Deus, como o foram Rute, a moabita, e Raabe, a meretriz de Jericó. Israel, porém, se isolou … e fracassou. Cristo teve que lutar intensamente contra esse espírito discriminatório, mesmo dentro do grupo reduzido de Seus discípulos.
Agora Jesus estava fora da Judéia. Este foi o único trajeto que Jesus cumpriu fora de Sua terra; e a efetuou com o fim de ensinar uma lição muito necessária. A mulher suplicante era “Cananéia”, “grega, de origem siro-fenícia” (Mateus 15:21-28; Marcos 7:26). Os discípulos – eles próprios judeus – sentiam-se envergonhados de que essa mulher desprezível, no entender deles, os seguisse dando gritos de súplica, e pediram em tom de urgência a Jesus: “Despede-a, pois vem clamando atrás de nós.”
Jesus havia visto antecipadamente aquela mulher. Conhecia o grau de fé que havia em seu coração. Jesus foi até essa região afastada para ensinar a todos os homens uma lição de suma importância, expressada mais tarde pelo apóstolo Paulo nestes termos: “Em Cristo … não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. …  O mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que O invocam” (Gálatas 3:27,28 e Romanos 10:12).
Quando Jesus disse à mulher: “Não é bom tomar o pão [a salvação] dos filhos [os judeus] e lançá-lo aos cachorrinhos [os gentios]” não estava senão imitando os dizeres dos judeus. Ele empregou deliberadamente a palavra “cachorrinhos” para estabelecer o contraste entre a fé e reação da mulher e a atitude negativa dos que se jactavam de ser o povo escolhido de Deus.
As respostas recíprocas de Jesus e da mulher deixaram assombrados os discípulos, e acenderam um raio de esperança em todos os que contemplaram a cena, esperança que brilhará até a consumação dos séculos.
Por Rádio NT

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