sábado, 21 de abril de 2018

A variação do DNA aumenta o abismo entre chimpanzés e humanos


Nos últimos 20 anos, a tecnologia de sequenciamento de DNA tem melhorado em relação à grande quantidade de sequências que ela pode produzir. No entanto, o comprimento dos fragmentos de DNA (chamadas leituras) que são obtidas ainda é bastante curto. Dependendo da tecnologia, as leituras variam entre cerca de 75 a 1.500 Bases.1  Estes segmentos curtos de DNA são muito difíceis de juntar em cromossomos, ao quais podem ter centenas de milhões de bases de comprimento. Como muitas áreas do genoma contêm regiões estendidas onde as sequências de DNA são repetidas ou duplicadas, elas não podem ser montadas em trechos contíguos usando leituras curtas. Como resultado, importantes regiões reguladoras nestas áreas são completamente deixadas de fora quando um genoma é reconstruído. Os programas de computador que os pesquisadores utilizam simplesmente não podem efetivamente montar todo o cromossomo como uma peça contígua porque as leituras são muito curtas.

Nos últimos anos, novas tecnologias de sequenciamento tem estado disponíveis comercialmente, possibilitando leituras muito mais longas de cerca de 10.000 a 215.000 bases.2,3 Essas novas tecnologias de sequenciamento de longa leitura permite a montagem mais precisa do genoma humano, revelando surpresas incríveis sobre a diversidade genética humana.

Antes do advento do sequenciamento de longa leitura, a variação humana era tipicamente avaliada examinando-se as diferenças no DNA entre pessoas no nível de uma única base. Por exemplo, uma pessoa pode ter um C (citosina) numa posição específica no seu DNA enquanto que outra tem uma A (adenina). Estas modificações pontuais são chamadas de polimorfismos de nucleotídeo único, ou SNPs. Quando a diversidade de SNPs era avaliada por milhares de pessoas ao redor do mundo, determinava-se que a diferença média na seqüência geral de DNA entre quaisquer dois seres humanos era de cerca de 0,01%.4  No entanto, uma variedade de artigos recentes utilizando tecnologia de sequenciamento de DNA de longa leitura nos mostram que essa nova metodologia melhorou consideravelmente a precisão da análise de variação do genoma humano, especialmente em áreas que têm sido difíceis de decifrar usando tecnologia de leitura curta.5-8

Os resultados desses novos artigos que utilizaram tecnologia de longa leitura têm sido surpreendente e estão agitando toda a comunidade genômica humana. O achado mais surpreendente foi que as pesquisas demonstram que grandes regiões do genoma humano podem ser marcadamente diferentes entre quaisquer dois seres humanos – ou mesmo dentro da mesma pessoa. Como a maioria dos animais, incluindo seres humanos, tem dois pares de cromossomos, um do pai e um da mãe, os cromossomos maternos e paternos podem ser muito diferentes na mesma pessoa. A conclusão é que qualquer genoma pode ser até 4,5% diferentes um do outro, em contraste com a estimativa anterior de 0,01% baseada unicamente em mudanças de uma única base.5

Estas novas grandes diferenças encontradas no genoma humano conflitam com a ideia evolutiva de que humanos e chimpanzés são 98,5% semelhante em nível de DNA. Se os seres humanos podem ser até 4,5% diferentes de cada um, como é que os chimpanzés são supostamente apenas 1,5% diferentes de seres humanos? O fato ou ponto-chave da questão é que a similaridade de 98,5% baseia-se em evidências incompletas desenhadas para reforçar a evolução. A pesquisa recentemente publicada por este autor mostra claramente que o DNA global do chimpanzé é, no máximo, apenas 85% semelhante ao da espécie humana.9

Em resumo, pesquisas recentes mostram que a diversidade não se deve apenas a milhões de diferenças de uma única base, mas também a milhares de grandes diferenças estruturais no genoma. A maioria destas variantes foi construída provavelmente nos genomas do casal original criado, Adão e Eva — facilmente representando a diversidade que vemos em seres humanos em todo o mundo e apoiando plenamente a narrativa bíblica da diversidade dentro dos tipos básicos.

Referências

Pettersson, E., J. Lundeberg, and A. Ahmadian. 2009. Generations of sequencing technologies. Genomics. 93 (2): 105-111.
Jansen, H. J. et al. 2017. Rapid de novo assembly of the European eel genome from nanopore sequencing reads. bioRxiv. Posted on biorxiv.org January 20, 2017.
Chin, C.-S. et al. 2016. Phased diploid genome assembly with single molecule real-time sequencing. Nature Methods. 13 (12): 1050-1054.
Witherspoon, D. J. et al. 2007. Genetic Similarities Within and Between Human Populations. Genetics. 176 (1): 351-359.
English, A. C. et al. 2015. Assessing structural variation in a personal genome—towards a human reference diploid genome. BMC Genomics. 16: 286.
Huddleston, J. et al. Discovery and genotyping of structural variation from long-read haploid genome sequence data. Genome Research. Posted on genome.cshlp.org November 28, 2016.
Seo, J.-S. et al. 2016. De novo assembly and phasing of a Korean human genome. Nature. 538 (7624): 243-247.
Shi, L. et al. 2016. Long-read sequencing and de novo assembly of a Chinese genome. Nature Communications. 7: 12065.
Tomkins, J. P. 2016. Analysis of 101 Chimpanzee Trace Read Data Sets: Assessment of Their Overall Similarity to Human and Possible Contamination With Human DNA. Answers Research Journal. 9: 294-298

Fonte: Acts & Facts

Tomkins JP. DNA Variation Widens Human-Chimp Chasm. Acts & facts. 2017;46(4):14.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Dilema ovo-galinha: Quem veio primeiro?


Um leitor nos enviou uma pergunta: Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

A pergunta pode até parecer engraçada e sem sentido, porém, o assunto tem tudo a ver com os modelos evolucionista e criacionista. Para os criacionistas, que acreditam que Deus é o Criador de todos os seres, o tipo básico original que deu origem a galinha veio primeiro. Sim, criacionistas não são fixistas e aceitam o mecanismo de diversificação das espécies. Portanto, Deus criou os tipos básicos e depois eles se diversificaram. A nossa galinha doméstica é resultado dessa diversificação. Mas, para defensores da macroevolução, os seres vivos compartilham ancestrais comuns, foi o ovo que veio primeiro. E o ovo podia ser até de um dinossauro. Em geral, a cosmovisão darwiniana nos diz que o mais simples deu origem ao mais complexo, nessa ordem.

O dilema "ovo-galinha" é útil para testarmos a evolução darwinista. Se conseguirmos de algum modo provar que o ovo veio antes da galinha, a evolução de fato estará no caminho certo.

No entanto, uma nova descoberta aponta para o fato de que a galinha veio primeiro. Segundo os cientistas, a formação da casca do ovo depende de uma proteína que só é encontrada nos ovários desse tipo de ave. Portanto, o ovo só existiu depois que a primeira galinha foi criada. A proteína – chamada ovocledidin-17 (OC-17) – atua como catalisadora para acelerar o desenvolvimento da casca. A sua estrutura rígida é necessária para abrigar a gema e seus fluidos de proteção enquanto o filhote se desenvolve lá dentro. A descoberta foi publicada sob o título “Structural control of crystak nuclei by eggshell protein” – em tradução livre: “Controle estrutural de núcleo de cristais pela proteína da casca do ovo.”[1]

Nessa pesquisa, foi utilizado um supercomputador para visualizar de forma ampliada a formação de um ovo. A máquina, chamada de HECToR, revelou que a OC-17 é fundamental no início da formação da casca. Essa proteína é que transforma o carbonato de cálcio em cristais de calcita, que compõem a casca do ovo. Dr. Colin Freeman, do departamento de Engenharia Material da Universidade de Sheffield, constatou: “Há muito tempo se suspeita que o ovo veio primeiro, mas agora temos a evidência de que, na verdade, foi a galinha.”

Para o professor John Harding, o estudo poderá servir como base para outras pesquisas: “Entender como funciona a produção da casca de ovo é interessante, mas também pode ser pista para a concepção de novos materiais e processos”, disse ele. “A cada dia a natureza [leia-se Deus] nos mostra suas soluções inovadoras para todo o tipo de problema que ela encontra. Isso só comprova que podemos aprender muito com ela”, finalizou o professor.

Como falamos no início do texto, esse dilema serve de teste para o evolucionismo darwinista. Testamos, e nessa situação ele foi reprovado. Podemos citar outros dilemas “ovo-galinha” a fim de que o evolucionismo darwinista seja posto à prova. Exemplos:

Quem veio primeiro: DNA/RNA ou a proteína? Se você não tem DNA não tem proteína, e o contrário também é um problema.
Oxigênio ou a capacidade do ser vivo de processar esse oxigênio?
Homoquiralidade se refere à propriedade de um grupo de moléculas que têm a mesma quiralidade. Uma substância é considerada homoquiral se todas as unidades constituintes são moléculas da mesma forma quiral[2] (enantiômero). A vida requer polímeros com todos os blocos com a mesma forma quiral, como DNA e RNA tendo apenas açúcares “destros” e proteínas sendo formadas apenas por aminoácidos “canhotos”.[3] A homoquiralidade é uma propriedade única da matéria viva e gradualmente desaparece após a morte da matéria viva. A homoquiralidade representa um desafio para os materialistas que precisam explicar a origem da vida por meio de mecanismos puramente naturais.
Existem inúmeras situações em que podemos colocar à prova o mecanismo de evolução ocasional. Será mesmo que os organismos evoluíram de simples para complexos, ou foram criados prontos e funcionais ? Pare, pense e analise.


Referências:  
[1] Freeman CL, et al. Structural control of crystal nuclei by an eggshell protein. Angew Chem Int Ed Engl 2010 Jul;49(30):5135-7. 
[2] Dembski, William A. The Design of Life: Discovering Signs of Inteligence in Biological Systems. Dallas: The Foundation for Thought and Ethics, 2008. p. 227. ISBN 978-0-9800213-0-1 
[3] Sarfati, Jonathan. By Design. Australia: Creation Book Publishers, 2008. p. 175. ISBN 978-0-949906-72-4

terça-feira, 10 de abril de 2018

A Atlântida e a migração para as Américas após o período do gelo


Ao longo destes anos, tenho investigado alguns relatos históricos e evidências arqueológicas relativos ao período pós-diluviano, inclusive tenho apresentado algumas dessas evidências em minhas palestras. No livro Revisitando as Origens, mais especificamente no capítulo intitulado A “Era do Gelo”: uma perspectiva bíblico-científica, encontra-se a seguinte informação quanto ao início e à duração da época do gelo: “De acordo com o naturalista Harry Baerg, ‘a formação e o desaparecimento dos lençois de gelo devem ter ocorrido entre o tempo do dilúvio e o começo da história registrada’. É, portanto, razoável admitirmos que o início da idade do gelo coincida com a história da Torre de Babel, construída no vale do Sinar (atual Iraque) entre 100 e 130 anos após o dilúvio. E o que dizer da Bíblia? Existem relatos bíblicos sobre essa época do gelo? Podemos perceber na narrativa do livro de Jó, nos capítulos 6:16; 38:22, 29, 30, um clima mais frio no princípio da história bíblica, datado entre 300-500 anos após o dilúvio.

“De acordo com os cálculos feitos pelo mestre em Ciências Atmosféricas Michael Oard, a época do gelo pode ter durado menos de mil anos, mais especificamente 500 anos de acúmulo de gelo e 70 anos para derreter as camadas de gelo ao longo da borda, e cerca de 200 anos no interior do Canadá e da Escandinávia. Existem evidências históricas relativas ao ano 1.454 a.C. em que Partholan, líder do segundo grupo a conquistar a Irlanda, teria desembarcado nessa região e registrado o número de lagos e rios existentes. Pouco tempo depois, na segunda colonização, havia um número bem maior de lagos e rios. Provavelmente, os registros irlandeses antigos evidenciaram o derretimento das camadas de gelo do norte europeu. Segundo Ussher, o dilúvio ocorreu em 2.348 a.C. Portanto, a era glacial teria terminado mil anos após a grande inundação” (Alves, 2018, p. 74, 75).

Ao compararmos as evidências bíblico-científicas acima com registros da cultura de povos pré-colombianos percebemos que as peças vão se encaixando nesse enorme quebra-cabeça acerca de nossas origens. O problema é que pesquisas nos registros originais dessas culturas têm sido pouco valorizadas em nossos dias. Porém, aceitamos o desafio e estamos trazendo para você, leitor, alguns relatos que dificilmente você encontraria, tanto na língua inglesa quanto na língua portuguesa.

Aparentemente, parte da imigração para a América aconteceu por meio dos descendentes de Cam durante o segundo milênio, devido a alterações climáticas, passando por ilhas no Atlântico que devem ter submergido durante ou após o derretimento dos glaciais no norte, ao fim da época do gelo.

Por que descendentes de Cam? Alguns anos atrás, durante uma pesquisa sobre os antigos povos celtas da Irlanda, nos deparamos com um texto que chamou nossa atenção no livro AD 500: A journey Through the Dark Isles of Britain and Ireland:

“Por muito estranho que possa soar, seus sábios insistem que os Celtas chegaram à Irlanda, em épocas passadas, ao final de uma grande jornada que se iniciou na Ásia e passou pela terra das pirâmides” (Young, 2006, p. 67).

Textos como esse nos deram uma noção de quanto se poderiam ter extendido as migrações após o dilúvio na Europa e no mundo a partir da Ásia. Mas será que teriam razão os antigos celtas da Irlanda?

Já nos séculos 15 e 16, pesquisadores percebiam as grandes migrações que ocorreram nos primeiros séculos da história conhecida/registrada, inclusive mencionando literalmente Cam:

“Observa-se que Cam e seus descendentes foram os únicos que viajaram e se espalharam por diversas regiões desconhecidas, pesquisando, explorando e se estabelecendo nelas” (Hogen, 1971, p. 262).

Porém, temos alguma prova de que essas migrações aconteceram? O autor Bill Cooper, em seu livro Depois do Dilúvio, menciona algo sobre a origem do povo chamado Mizraim que habitou a região do Egito:

“Mizraim: nome do povo que se localizou no Egito. Os modernos israelenses ainda usam esse nome para aquele país. O nome está preservado como Msrm nas inscrições ugaríticas; como Misri nos tabletes de Amarma, e nos registros assírios e babilônicos respectivamente como Musur e Musri. Os árabes modernos ainda o conhecem como Misr” (Cooper, 2008, p. 152).

Mas quem era esse povo Mizraim? O mesmo autor nos dá a reposta e apresenta uma tabela mostrando a genealogia de Cam. Assim, respondendo à pergunta: “Será que essa convicção dos antigos celtas da Irlanda estaria certa?” Há alguma outra fonte histórica que registre a rota de migração do Egito a Europa?

No Tratado único y singular del origen de los indios del Perú, Méjico, Santa Fe y Chile, do autor Andrés Diego Rocha, vemos a seguinte declaração:

“O rei Osiris, senhor do Egito, que alguns dizem ser este neto de Noé, e que viveu cerca de […] veio do Egito (para a Espanha) e matou a Gerion em uma batalha junto a Tarifa, e alguns dizem que Osiris seguiu governando a Espanha durante muito tempo. No tempo em que viveu Osiris parece que começaram a vir para esta América passando pela ilha da Atlântida” (Rocha, 1891, p. 141-142).

Em que ano teria vivido Osiris, e de que forma o ano em que ele viveu estaria relacionado com o período da época do gelo? Sobre esse personagem, Osiris, encontramos o seguinte comentário no livro A Torre de Babel e seus mistérios, de autoria de Guilherme Stein Jr:

“Osiris foi um dos mais importantes deuses do Egito antigo. A origem de Osiris é obscura, não sendo certo ter sido ele inicialmente um deus local de Abydos, no Alto Egito, ou de Busiris, no Baixo Egito, ou se foi a personificação da fertilidade, ou simplesmente um herói deificado. Em torno de 2.400 a.C., entretanto, Osiris desempenhava um duplo papel – era ele tanto um ‘deus da fertilidade’ quanto a personificação do ‘rei morto’” (Stein Jr, 2017, p. 63).

A data aproximada em que Osiris viveu (2.400 a.C.) coincide com o fim do período do gelo mencionado no início deste texto. Ademais, podem-se encontrar relatos acerca do percurso e da passagem pelo Egito que, assim como Osiris, outros povos teriam feito antes de alcançar seu destino final.

Aliás, evidências científicas atuais reforçam o argumento de que o povo do Egito fazia com facilidade a rota transatlântica antiga, mais de 2.000 anos após a criação (veremos sobre isso no próximo texto da série). Em 1992, uma pesquisa inicial alemã encontrou vestígios de cocaína em múmias egípcias, e a autora do estudo foi muito criticada. (Balabanova, Parsche e Pirsig, 1992) Em 2009, porém, outro estudo reforçou os achados prévios alemães (Musshoff, Rosendahl e Madea, 2009) Sendo que a coca é uma planta original da América do Sul, isso evidencia que os antigos egípcios já percorriam essa rota, via oceano Atlântico. (Mallette et al., 2016) Em 2016, por sua vez, estudo encontrou novos traços de cocaína em múmias e, desta vez, anunciando a possibilidade de migração humana via rota transatlântica antiga. (Görlitz, 2016)

Isso pode ajudar a entender as possíveis rotas de migração dos povos à América antes e depois da Era do Gelo, já que existem antigos relatos de uma movimentação em direção à América do Sul bem anteriores aos que são mencionados pelos historiadores modernos. A propósito, recentemente se descobriram evidências, não apenas de relatos, mas, sim, da arqueologia encontrada por imagens de satélites que identificaram antigos geoglifos (terraplenagem provavelmente usada para cerimônias), mostrando que a Amazônia pré-colombiana já foi uma grande metrópole que abrigou uma população muito maior do que se imaginava anteriormente, chegando-se a dezenas de milhões de pessoas. (de Souza et al., 2018; Clement, 2015) Inclusive, a distribuição dos sítios arqueológicos em potencial sugere que eles eram interconectados, vilarejos avançados e fortificados.

A seguir temos o relato de uma antiga imigração dos povos americanos feito pelo cronista Francisco Lòpez de Gòmara em 1555 (em espanhol antigo):

Tambien dizen algunos Indios ancianos, q se llamaua Uiaracocha, que quiere dezir gralla del mar, y quer trajo su gente por la mar. Zopalla en conclusión, afirman q poblo y allendo en el Cuzco, de dõde começarõ los Yngas a guerrear la comarca, y aun otras tierras muy lejos, y pusierõ allí la filla y corte de su império” (Gòmara, 1555, Fo. Lv).

Tradução:

“Também dizem alguns anciãos dos índios que ele se chamava Viracocha, que quer dizer gralha do mar, e que trouxe seu povo pelo mar. Zopalla conclui e afirma que o povo indo até o Cuzco, e de aí os incas guerrearam na comarca e ainda terras mui longínquas, e puseram nesse lugar a corte do seu império” (Gòmara, 1555, Fo. Lv).

O autor Andrés Diego Rocha no seu livro Origen de los Indios defende a ideia de que os antigos espanhois teriam migrado à América em tempos remotos e, assim, seu retorno em 1492 seria somente um retomar daquilo que lhes pertencera no passado. Para isso ele usa até argumentos linguísticos:

“Do que acabamos de dizer, encontram-se na língua dos índios muitas palavras semelhantes à antiga língua castelhana, tais como: Aca, alla, ama, anca, ancho, casa, cacha, cala…” (Rocha, 1891, p. 78, 79).

E a tal ilha, chamada pelos autores de Atlântida, ficava onde? É possível que essa ilha devesse ser uma ilha continental ou um grupo de ilhas no Atlântico sobre a dorsal messo-oceânica. Teriam elas sido cobertas durante ou após o derretimento dos gelos do norte?

Ela não é mais mencionada após o segundo milênio antes de Cristo. Isso é evidenciado num relato feito pelo cronista Andrés Diego Rocha, quando se refere a um acontecimento durante o primeiro século e os navegantes fenícios não mencionam mais a existência dessa(s) ilha(s):

“Na época dos cartagineses, um grande argonauta chamado Hannon, e Plinio, no livro 2 de sua Historia Natural, capítulo 67, menciona as largas viagens que fez este Hannon, desde Gibraltar até o último da Arábia, passando duas vezes a Equinocial, e também menciona Arriano, de origem grega, autor antigo, no livro 8 de seu comentário, indicando que o referido Hannon fez outra navegação quase semelhante a que em nossos tempos fez Colon, e de estas últimas navegações, escreve o P. Maluenda em seus livros de Anti-Cristo, livro 3, capítulo 16 e Gòmara na Historia de las Indias, na primeira parte” (Rocha, 1891, p. 21).

Ao chegar à América, continua o relato, eles comentam aspectos interessantes sobre o que viram:

“Chegaram a uma ilha muito ampla, abundante de pastagens, de grande frescura e bosques, e muito rica, irrigada por rios, delimitados por montanhas muito íngremes, tão largos e bordais que poderiam ser navegados” (Rocha, 1891, p. 22).

Notemos que o relato acima descreve “montanhas muito íngremes”, no plural, o que nos mostra que o relator não estivesse se referindo a uma ilha, mas provavelmente aos Andes navegados via rio Amazonas. E assim, provavelmente, aconteceu o povoamento das Américas, após o fim do período do gelo e da dispersão de Babel, não por povos primitivos, mas sim por pessoas inteligentes capazes de grandes construções arquitetônicas como os zigurates em formas de pirâmides.

Como é mencionado, essa ilha chegava até às ilhas Barlovento:

E tendo então transitado pela ilha Atlântida, que se continuava até as ilhas de Barlovento” (Rocha, 1891, p. 141, 142).

Essas ilhas estão localizadas na região do Caribe. Assim, temos fortes indícios de que uma das rotas naturais dos imigrantes teria sido em direção à América do Sul.




(texto escrito em coautoria com o pesquisador Irwin Susanibar Chavez, a quem o Everton agradece profundamente por compartilhar com ele suas pesquisas e conhecimento)

Texto originalmente publicado em 21/02/2018 no Blog Criacionismo.

Referências:

Alves, Everton Fernando. A “Era do Gelo”: uma perspectiva bíblico-científica. In:________. Revisitando as Origens. Maringá: Editorial NUMARSCB, 2018, p.68-78.

Balabanova S, Parsche F, Pirsig W. First identification of drugs in Egyptian mummies.Naturwissenschaften 1992; 79(5):358.

Clement CR, et al. The domestication of Amazonia before European conquest. Proc Biol Sci. 2015 Aug 7;282(1812):20150813.

Cooper B. Depois do dilúvio. 1. Ed. Brasília: SCB, 2008.

de Souza JG et al. Pre-Columbian earth-builders settled along the entire southern rim of the Amazon. Nat Commun. 2018 Mar 27;9(1):1125.

Görlitz D. The Occurrence of Cocaine in Egyptian Mummies – New research provides strong evidence for a trans-Atlantic dispersal by humans. Diffusion Fundamentals 2016; 26(2):1-11.

Gòmara, Francisco Lòpez de. La historia general de las Indias y nuevo mundo, con mas la conquista del Peru y de Mexico. Çaragoça, 1555; a abreviação “Fo. Lv” significa fólios, o livro era como pergaminhos, portanto não tinha folhas.

Hogen M. Early Anthropology in the Sixteenth and Seventeenth Centuries. Philadelphia: Univ. Pensylvania, 1971.

Mallette JR, et al. Geographically Sourcing Cocaine’s Origin – Delineation of the Nineteen Major Coca Growing Regions in South America. Sci Rep. 2016; 6: 23520.

Musshoff F, Rosendahl W, Madea B. Determination of nicotine in hair samples of pre-Columbian mummies. Forensic Sci Int. 2009 Mar 10;185(1-3):84-8.

Rocha, Diego Andrés. Tratado único y singular del origen de los indios del Perú, Méjico, Santa Fe y Chile. V. 1. Madrid: [Impr. de Juan Cayetano García], 1891. Fondo Antiguo

Stein Júnior, Guilherme. A Torre de Babel e seus mistérios. 2. Ed. Brasília: SCB, 2017.

Young, Simon. A.D. 500: a journey through the dark isles of Britain and Ireland. London: Phoenix, 2006.

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